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Mostrando postagens de março, 2026

A CRISE BRASILEIRA DE 1979, PARTE 3 - A saída de Karlos Rischbieter e o enterro da ortodoxia

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 "Em benefício da unidade" : A queda do último xerife Na tarde de 14 de janeiro de 1980, enquanto os ministros se reuniam para homenagear o aniversário do presidente João Figueiredo , um encontro paralelo selava o destino da política econômica brasileira. Por volta das 15 horas, o ministro da Fazenda, Karlos Rischbieter , entregava ao chefe do Gabinete Civil, general Golbery do Couto e Silva , sua carta de exoneração. O pedido chegava às mãos de Figueiredo no dia de seu aniversário — um presente amargo que o próprio presidente classificaria, horas depois, como "o pior presente de aniversário que poderia ter recebido". Menos de cinco meses após a saída de Mário Henrique Simonsen , e apenas 38 dias depois da maxidesvalorização de 30% do cruzeiro, o governo perdia seu último representante da ortodoxia econômica . A alegação oficial, estampada na manchete do jornal no dia seguinte, era tão elegante quanto reveladora: Rischbieter pedia exoneração "em benefício da u...

A CRISE BRASILEIRA DE 1979 PARTE 2- A maxidesvalorização de 30%: O tiro que tentou acertar dois alvos

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“Medidas corajosas” ou choque inevitável? Na edição de 8 de dezembro de 1979, o governo do presidente João Figueiredo apresentou ao país um pacote de nove medidas econômicas que incluía a maxidesvalorização do cruzeiro , redução de subsídios ao crédito, estímulos às exportações e restrições às importações. No discurso oficial, tratava-se de um conjunto de ações “corajosas”, necessárias para conter a inflação e reequilibrar as contas externas do Brasil. A narrativa governamental buscava transmitir a ideia de ajuste responsável diante de uma economia pressionada pela alta do petróleo, pelo crescimento da dívida externa e pelo desequilíbrio na balança de pagamentos. O objetivo declarado era duplo: estimular as exportações e reduzir a dependência de importações, sobretudo de petróleo e bens industriais. Nos bastidores, porém, a forma como o pacote foi apresentado revelou o tom duro que marcaria o início da década de 1980. O então ministro do Planejamento, Delfim Netto, considerado o princ...

A CRISE BRASILEIRA DE 1979, PARTE 1 - A Queda de Simonsen

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A queda do fiador técnico Agosto de 1979. A inflação acelera. O petróleo encarece novamente. O regime militar anuncia a abertura política . Nos bastidores, a equipe econômica está dividida. Em 10 de agosto, a queda de Mário Henrique Simonsen marca o fim de uma era. No dia 11 de agosto de 1979, o jornal O Estado de S. Paulo estampou em suas páginas um editorial de tom contundente que capturava o momento de tensão e inflexão política que o Brasil atravessava. Sob o título "O governo escolheu o populismo", o texto analisava a renúncia do ministro-chefe da Secretaria do Planejamento, Mário Henrique Simonsen, durante o governo do general João Baptista Figueiredo, o último presidente do regime militar. Mais do que um simples registro de uma mudança na equipe econômica, o editorial revelava as entranhas de uma crise política silenciosa, mas profunda: o choque entre duas concepções antagônicas sobre como conduzir o país diante da escalada inflacionária e do...